Vanessa DiCarvalho
Quantos artistas de rua são desvalorizados a cada momento de seu cotidiano? Ou se quer não são reconhecidos. Artistas estes que desenvolvem ainda criança, atividades ou aptidões que vão lhe fazer ser, como se fosse algo natural, porém especial, que já vem embutido no coração e na alma. Aos poucos são eles que nos lembram da desigualdade, da pobreza ou do fato esquecido ao conhecermos suas histórias de força e a melancolia de seus amores, tendo como união em qualquer instância a esperança de uma vida melhor ou ao menos o reconhecimento de sua arte.
Em todos os momentos, são estas pessoas que transmitem uma energia forte e positiva rara de amor e da garra eterna. Por observar suas vidas, estas pessoas, me trouxeram à tona uma realidade de duas faces, onde em um lado vivemos uma indústria cultural que vira as costas pra trabalhos verdadeiros e propaga uma arte vazia, e no outro, pessoas que ainda pensam no Brasil e percorrem país afora, artistas estes que fazem seus trabalhos com a alma e não com o pensamento fincado somente no cifrão.
Imagine quantos milhares artistas de ruas com talentos, arte e dom, vivem a triste realidade de ver sua arte ser valorizada em uma moeda de vinte e cinco centavos. “A pessoa é para o que nasce”, antes de ser nome de documentário é frase do consumo popular. Pois uma pessoa que nasce pobre, em ambiente ignorante, exposta a poucos estímulos construtivos, pode estar presa à sua “condição humana” e construir para si mesma uma vida igualmente miserável, ou pode enxergar que existe outro mundo e pavimentar a estrada que o levará até lá.
A condição humana é um conjunto de fatores a priori, ou seja, que existiam antes da própria pessoa, mas ela não é sinônimo de destino, pois entra em jogo a consciência, que pode mudar tudo. Alguém já disse que viver nada mais é do que resolver problemas? A quantidade de situações que exigem que apresentemos soluções durante apenas um dia de nossa vida é imenso. Não nos damos conta disso porque a maioria das soluções são praticamente automáticas, pois estamos sendo preparados desde a infância para encontrá-las, e porque, em sua maioria, dizem respeito a pequenas decisões do cotidiano, como escolher qual roupa vestir, resolver o cardápio do dia ou decidir o melhor trajeto entre a casa e o trabalho. Entretanto, ao longo de sua vida, o homem também se depara com situações mais complexas, que exigem mais do que a lógica banal do cotidiano. É quando se vê obrigado a encarar uma situação-problema, encontrar a melhor solução e retomar, dessa forma, o equilíbrio que parecia perdido é encontrado dentro de si uma maneira de se manter vivo.
As respostas estão, portanto, muito mais dentro de nós do que fora, e essas respostas são as que explicam os fracassos e os sucessos destes artistas de rua, bem como esclarecem as grandes dúvidas de nossos próprios fracassos cotidianos. Estes artistas encontram nas oportunidades as grandes soluções tão esperadas de um futuro. Portanto não valorizemos uma arte de rua por apenas vinte e cinco centavos arremessados, como uma arte profanada sem alma ou coração, de quem nunca vai entender que a verdadeira arte da vida é apenas viver.
Esta crônica é totalmente dedicada ao meu irmão e ator Adriano DiCarvalho, que está lá longe de mim, em um outro estado deixando a saudade perfeita de um eterna fã.
Essa foi para o seu talento, a sua garra e sua capacidade de ser o melhor no que faz. E por isso que sua arte não foi e nunca será esquecida! Mas que as palavras que dedilhei com amor, de alguma forma valorize mais e cada vez mais tua arte perfeita de felicidade.
Te amo muito!
Vanessa DiCarvalho
Obrigado, limã… Coisa mais bonita saber de todo o seu carinho e respeito pela minha arte e meus anseios. É reconfortante saber ainda do seu apoio e bom entendimento do ofício que rege minha tragetória nesta vida. Graças a Deus minha batalha não tem sido em vão e não tenho passado despercebido no meio artístico. Amém que meu trabalho tem sido reconhecido e usado como referência para outros colegas de profissão. Nesta profissão tão “ingrata” – no sentido de ser um tanto quanto instável nas oportunidades – tenho tido ótimos momentos pelo pouco tempo que aqui estou. Minha estrada ainda é longa apesar de tudo já percorrido. Contudo, estou feliz e esperançoso de que a cada dia conquisto mais e mais o meu espaço nesta profissão tão concorrida. E saber que posso contar sempre com você e nossos pais é o suficiente para eu acreditar que realizarei meus sonhos e serei pleno naquilo que me fio. Te amo e fiquei muito feliz com sua dedicatória viu. Saudades!!!
Dedé. (Como gosto de ser chamado por você)
Te amo meu irmão e tenho muito orgulho de ter tido um professor como vc.