O futuro dos jornais na visão de Ricardo Noblat

    Vanessa DiCarvalho

    Diante da crise dos jornais impressos, o autor, Ricardo Noblat, se mostra convencido de que donos de jornal e jornalistas compartilham o firme propósito de acabar com os jornais. Mesmo admitindo que acabar com os jornais não seja a intenção. Até porque, segundo o autor, “os donos ficariam sem seus negócios e os jornalistas, sem seus empregos.”.

     O autor chega a afirmar que tanto o dono do jornal, quanto o jornalista “parecem terem firmado uma santa aliança para acabar com os jornais.”. Ainda segundo ele, “os donos porque administram mal as empresas; os jornalistas porque insistem com um modelo de jornal que desagrada às pessoas.”.     Explica também sobre dados como os jornais despencaram ao longo dos anos “quase 12% e os telejornais nacionais e mundiais perderam 14% de sua audiência. A internet também começa a tomar anúncios antes destinados aos jornais. Até 2010, os jornais deverão perder para a Web de 10 a 30% de sua receita com publicidade, segundo executivos da área ouvidos em 2001 pela Innovation Internacional Media Consulting Group. Somente nos Estados Unidos, a publicidade online saltou de 200 milhões de dólares em 1996 para 4 bilhões a 12 bilhões de dólares em 2000, a depender da fonte que se consulte.”.

    Na opinião do autor os leitores acham que o cardápio de assuntos dos jornais está mais de acordo com o gosto dos jornalistas do que com o gosto deles, “é que a visão que os jornalistas têm da vida é muito distante da visão que eles têm. Nada disso, porém, parece abalar jornalistas e donos de jornal. Eles se comportam como se soubessem, mais do que os leitores, o que estes querem, têm obrigação de querer ou devem deixar de querer.”.

    Ricardo Noblat chega a críticar também a economia brasileira, “acrescente-se ao rol das queixas a cobrança por jornais mais baratos. Os nossos são muito caros. E é pequeno o público disposto a pagar por eles. Temos 53 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. E 23 milhões delas são miseráveis. Nos últimos cinco anos, a taxa de desemprego aumentou em 23% e o poder de compra dos salários desabou em 35%. O país cresceu 14% em 1973 e, em 2002, só deverá crescer 1%, se tanto.”.

    Diante deste pensamento o autor conclui o capítulo explicando que somente com uma mudança radical de conteúdo, será capaz de prolongar a lenta agonia dos jornais. E que a soberba, mãe de todos os pecados, costuma ditar o comportamento de jornalistas poderosos.  Para ele os jornais, contudo morrerão, a porém a informação não. 

“Que viva, pois, o jornalismo! Porque pouco importa a forma que os jornais venham a tomar no futuro, pouco importa se alguns deles acabarão preservados como espécies de relíquias — o homem sempre precisará de informações.” ( Ricardo Noblat).

 

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