“Tudo isso é Gustavo Bernardo em Redação Inquieta”
Vanessa DiCarvalho
Poder definir uma obra de expressividade da linguagem acadêmica e os elementos capazes de impressionar, emocionar, sugestionar, convencer e diferenciar nos dias de hoje só poderia ser escrito em Redação Inquieta por Gustavo Bernardo. O livro nos mostra a definição do próprio autor. A obra é composta de uma pequena introdução, e mais sete capítulos: Ato, Método, Maniqueísmo, Erro, Estilo, Dialética e Ética. Cada um deles se divide em subtópicos, facilitando a reflexão e a compreensão da intrigante teoria ética da redação. Um conjunto de 44 itens compõe a referência bibliográfica, que Gustavo Bernardo intitulou de Dívida. Todo capítulo inicia-se com uma citação, em epígrafe. E a do primeiro capítulo, Ensino, é de Cacaso: “Pra se combinar comigo tem que ter opinião”. Essa terceira edição é de 1988, sendo que o livro foi reeditado e atualizado em 2000. Todo esse diferencial literário de tais elementos citado na obra, são o que define o estilo do autor. Um estilo único e fugaz nos olhos de quem ler. Com um cenário de vinte anos atrás, o autor nos mostra a abertura política ainda nos primeiros passos e as pessoas quase reaprendendo um novo estilo de vida, reaprendendo a realmente “falar”. Para Bernardo o “desengasgamento” de um povo vivido em cesura rígida. O autor começa seu livro fazendo uma crítica às muitas publicações acadêmicas e jornalísticas daquela época. Tais publicações, partindo de uma seleção de “besteiras da juventude”, retiradas das redações de vestibular, criticavam a “desexpressão” dos jovens. E o autor, então, nos diz que era mesmo “DESEXPRESSÃO – mistura de desespero com expressão.”. Tamanho era o problema, que a desexpressão de uma geração calada, mesmo quando escrevia alguma coisa, continuava calada. Portanto, nada dizia. Fazendo justiça a essa natureza, o autor nos diz também que, diante de um olhar mais atento, o problema da desexpressão aparecia ainda mais amplo e mais profundo.
Um olhar crítico e dialético
Nos livros didáticos, editoriais de jornais, discursos políticos, teses de juízes e doutores, havia uma palavrinha, segundo Bernardo, que servia para tudo “dialeticamente falando..” (p. 126). Para ele esta expressão servia só para assustar seus leitores, onde costumava aparecer em forma de advérbio, quando se queria um palavrão. Segundo o autor, a preocupação do entendimento desta expressão foi tão significativa que todas a trinta e duas páginas do sexto capítulo (Dialética) foram delicadamente selecionadas para esta explicação com suas seis questões fundamentais: Unidade, natureza, espaçotempo (assim mesmo tudo junto.), Deus e desejo. Com a tentativa de dialogar com os argumentos que existiam a respeito das suas próprias contradições.
Todas essas seis questões surgiram para o autor quando as nossas respostas traziam, de alguma forma, nossas próprias perguntas. “Tornando o nosso mundo significativo pela coragem de nossas peguntas e pela profundidade de nossas respostas (p. 193)”, e foi neste capítulo que Gustavo Bernardo abriu todas as suas contradições sobre a dialética do viver e do mundo, de uma maneira belíssima de se expressar. “Somos, cada um de nós, uma multidão de diferenças. Logo, uma multidão de novidades desconhecidas. (p. 148)”. Belo belo e belo!!! Amo..